Moto GP: Entenda por que a punição a Quartararo é mais preocupante do que o próprio incidente

Piloto francês completou as últimas quatro voltas do GP da Catalunha com o peito descoberto

 

 

A punição que a Direção de Prova da MotoGP deu à Fabio Quartararo após o problema inédito com o zíper do seu macacão em Montmeló só serviu para apertar o ânimo de ambos.

Quartararo completou as últimas quatro voltas do GP da Catalunha com o peito descoberto, depois do macacão ter sido totalmente desabotoado.

Os regulamentos estipulam literalmente: “Os pilotos devem vestir seus macacões devidamente ajustados sempre que saem para a pista.” Porém, neste episódio bizarro, há nuances importantes que vale a pena desenvolver e que permitem concluir que o tratamento do assunto deveria ter sido feito de outra maneira. 

Depois de terminar a corrida, em que cruzou a linha de chegada em terceiro, o francês não soube ou não quis explicar com muita precisão o que aconteceu com seu macacão nas últimas quatro voltas. O piloto limitou-se a dizer que ao passar pela primeira curva, o zíper começou a ceder até ficar quase totalmente aberto, atingindo a cintura.

Enquanto há quem sugira que Quartararo começou o teste com o macacão aberto, um olhar para a câmera on board deixa claro que não. No entanto, é certo que o traje não estava completamente bem vestido, pois o zíper ficava abaixo do velcro que atua como segurança no pescoço.

Um erro que a Yamaha certamente nunca mais cometerá, dado o custo que teve. Assim que a corrida acabou, Quartararo se reuniu com os responsáveis da Alpinestars, a marca que lhe fornece todos os equipamentos. As conclusões não foram divulgadas e o piloto se limitou a dizer que o macaco em questão será estudado para evitar que o incidente se repita.

As imagens do líder do campeonato a mais de 300 km/h com o tronco totalmente exposto fizeram com que muitos pedissem uma atuação da direção de prova. Chegou – embora tarde, muito tarde. Mais de cinco horas após a corrida, a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) formalizou a penalidade de três segundos para o #20. Uma resolução difícil de entender e que não deixou ninguém feliz. 

Marc Márquez, por exemplo, destacou que o mais justo em seu entendimento seria se tivessem mostrado ao adversário a bandeira preta com o círculo laranja no centro, que alerta o piloto para um problema técnico que deve ser resolvido se quiser continuar na corrida. “Se isso tivesse acontecido, o Fábio deveria ter sido colocado de lado para fechar o macacão novamente, ter perdido uns três segundos [o mesmo que caiu depois], então ter seguido”, disse o piloto da Honda.

Para Joan Mir, atual campeão mundial, o aspecto mais punível do que aconteceu com Quartararo é que ele tirou protetor de peito e jogou na pista. “Que não o penalizem por usar macacão aberto, quando a única pessoa prejudicada por isso pode ser ele, embora o regulamento deixe isso muito claro. Mas o que vejo realmente perigoso é jogar o protetor. É plástico e é perigoso. As motos estão chegando a 200 km/h atrás. Há momentos em que a Direção de Prova não é muito correta nas suas decisões ”, concordou a Suzuki, que, assim como a Ducati, enviou um e-mail à Direção de Prova para saber o que aconteceu, sem apresentar qualquer reclamação formal.

No debate aberto, alguns, como Casey Stoner, foram diretamente a favor da desqualificação imediata do Quartararo, “mesmo que não tenha sido o próprio Fábio quem abriu o zíper de propósito. Eles deveriam ter dado a ele uma bandeira preta, porque neste nível você não pode guiar a 350 km/h com o macacão aberto.”

Outros, como Aleix Espargaró, afirmaram que o que aconteceu não foi tão ruim. “Essas coisas podem acontecer. Se isso acontecer durante a corrida, o que você quer fazer, parar o piloto? É perigoso, é claro que é perigoso, mas está lutando pelo título. Você acha que é justo parar um piloto porque o zíper quebrou?”, disse.

O fato de haver opiniões dos próprios pilotos em ambas as direções torna ainda mais difícil tirar uma conclusão. No entanto, é surpreendente a leveza com que alguns encaram um evento que poderia ter terminado de forma fatal. Acima de tudo, porque apenas se passou uma semana desde a trágica morte de Jason Dupasquier, em Mugello, na classificação de sábado.

O que teria acontecido se Quartararo caísse no final da reta, como estava prestes a fazer a três voltas do fim, com a região torácica exposta? Embora seja melhor não pensar nisso, provavelmente terá que ser feito o questionamento para encontrar o consenso definitivo.

A maior parte da responsabilidade para que isso não aconteça recai sobre a Direção de Prova, muito criticada pelo grid da MotoGP. Os comissários optaram por uma punição totalmente inexplicável para Quartararo.

Todos teriam compreendido uma intervenção imediata com uma das bandeiras, a preta ou a preta e laranja. Mas deixá-lo completar as últimas quatro voltas com o macacão aberto, depois impor uma penalidade de três segundos, é difícil de justificar, não importa para onde você olhe.    (motorsport.uol.com.br)

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